sexta-feira, 31 de julho de 2009

O poema

"No meu mundo de poesia
Sou brisa querendo ser furacão
Sou uma doce e divertida canção
Só as primaveras me interessam,
Mas as vezes um verão
Não sou peixe grande
Ou fora d´água
Sou aquário
Hoje deposito aqui a minha primeira gota
De muitas que virão
E muito peixes surgirão"
Postado por Rodrigo Abreu!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Decidimos gritar juntos!

Sexto ensaio


Um passado não muito distante nos assombrou hoje.

De repente uma dificuldade de entendimento e uma divergência de idéias comuns ao processo tempos atrás se fez presente. Pronto! Estava instalado um momento de tensão que não interessava ao trabalho.


A peça, o personagem, a direção e o ator envolvidos num processo enlouquecedor. Sem dúvida chegamos na parte difícil e mais importante da peça, aliás, estou até sendo leviano em dizer isso, já que a peça TODA tem se mostrado de uma impotância cada vez maior. É um espetáculo que não nos deixa relaxar, temos que ficar sempre atentos e ator sempre vivo e entregue, senão a mensagem além de não ser contada vira apenas marca e um texto decorado dito por uma pessoa que de fato não sabe o que está dizendo. Difícil! Desafiador!


Enfim, entre muitas idas ao banheiro (aliás, o diretor tá com bexiga frouxa!), goles d'água que empurram o nervosismo goela abaixo, anotações, rabiscos, desistencias e recomeços, risos nervosos, batidinhas de pé, caminhadas sem direção, mosquitos e afins conseguimos cumprir com a nossa meta e marcamos o fim da peça. Ufa!

Já se podia notar um suspiro profundo, uma respiração mais tranquila e um semblante mais aliviado no rosto do diretor. E o ator? O que fez o ator? decidiu resolver a sua questão com uma certa "bola de fogo" dita por ele num dos textos... Pronto! Resolvida a questão! rsrs!


Amanhã vamos amarrar mais um pouquinho essa história toda. É! Temos muito trabalho pelo frente ainda! E que seja assim sempre, senão não tem graça!


Até!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Quinto ensaio


Olá a quem interessa!
Chegamos ao quinto dia de ensaios. ÊÊÊÊ!!!
Pois é! Nossa meta hoje era marcar a segunda parte do terceiro momento (deterioração), como já prevíamos, essa a parte mais tensa da peça. O diretor tem visão quase alucinógena das cenas deste momento. É como se estivéssemos no olho do furacão. O personagem que durante a peça vem demonstrando sintomas de desespero e desiquilíbrio, aqui assume isso com força total.
As idéias se unem e se misturam... Sentimentos, lembranças, notícias de jornal, previsões terríveis, infância, violência, vaidade, inveja, desordem... Tudo isso girando num imenso ciclone em torno desse personagem, que aqui neste momento, não consegue por os pés no chão.

Resultado: Um ciclone de coisas na cabeça do ator e um temporal de idéias na mente do diretor.

Mas nessa história toda, o saldo foi positivo. Conseguimos cumprir nossa meta de hoje e marcamos todo esse momento, porém, um clima de tensão ficou no ar ao fim do ensaio. O ator, calado, confuso e o diretor preocupado.
Natural! Sabíamos desde o início que seria assim.
O importante é que amanhã é chegado o dia de marcar o último momento da peça.
Então precisamos estar muito bem amanhã.
Sendo assim, Elio vai estudar esse texto e Rodrigo, se acalma! Se acalma!
Até!

terça-feira, 28 de julho de 2009

"A Última Flor" por Rodrigo abreu


A flor que nos faz recomeçar, não é a mesma que resta no fim.

É a última flor que brota em mim e germina no seu olhar.

Seu olhar sempre mirando jardins.

Há em mim a semente do que me gerou.

Há em mim, amor em pétalas carmim

e um verde de esperança sem torpor e sem fim.

Sem aflor que nunca jaz, não há mais, falta verdade.

Verdade que nos faz, verdade que vos trago.

A verdade de que falo não é minha nem sua.

Nem mentira é tampouco.

Mas é a verdade de nós mesmos que se esconde

bem aqui, bem no fundo, despetalando-se aqui dentro.

No simples sentido do ser, de ser.

Sermos todos, muitos, juntos, jardins.

Os jardins que miraram, um dia teus olhos,

hoje, olhos vazios, sem cor, olhos vis.

Que reabram as janelas de tua alma

e que plantes enfim a última flor

que trago em mim e que ofereço à você.

Que ela floresça dia a dia e que colhamos juntos

o fim da primavera, o prazer do amor nascido

do prazer de ouvir, ver, tocar, beber, comer,

cheirar você, que é o outro.

O outro que sou eu.

Você, eu e o todo!
É impressionante como os passos começam a levar para um só lugar... A estréia!
Huuumm! Chega dar um friozinho na barriga!
Mas o gêlo não vem só da ansiedade em estar em cartaz e sim da vontade de ver nossa mensagem nos ouvidos das pessoas. Saber se nossa angústia em comunicar vai de verdade comunicar com as pessoas. Mostrar tudo aquilo que estamos preparando com tanto carinho e que temos certeza ser muito importante ser dito. Contagem regressiva!

E por falar em contagem regressiva, nossa produtora e nosso diretor estiveram hoje no teatro fechando alguns detalhes com a equipe do teatro. Ao que parece tá tudo bem! Amém!!

Amanhã é dia de ensaio lá na Martins Penna. Vamos fechar o terceiro momento da peça. Medo!! rs!

Até!

domingo, 26 de julho de 2009

Quarto ensaio


Hoje ensaiamos na UNIRIO. Nossa meta era marcar a primeira metado do 3° momento. Tarefa árdua, segundo o diretor. E realmente foi. Hoje foi um pouco mais trabalhoso marcar as cenas, afinal o espetáculo aqui começa a entrar num outro momento, mas conseguimos cumprir mais um dia de cronograma.
Se deteriorar pra depois recolher os pedaços que caíram no chão e voltar numa versão muito melhor, é essa a nossa nova meta!
Partes fragmentadas, mudanças bruscas, um decompor de pensamentos, um desequilíbrio da alma, verdades e superficialidades, emoções conflitantes, enfim, um turbilhão de sensações, esse é o terceiro momento.
Temos muito trabalho pela frente... Nos próximos dois ensaios temos a obrigação de esboçar todo o final da peça. Por que no domingo vamos fazer um passadão para toda a equipe. Aliás, estamos ansiosos por esse momento!
O próximo ensaio só daqui a dois dias, até lá muuuito estudo de texto e foco!
Sendo assim, até lá!

Terceiro ensaio



Olá a quem interessa!
Nosso ensaio de ontem foi na Martins Penna, graças à um esforço do amigo e diretor adjunto Marcos henrique. Puxa vida! Essa estória de procurar espaço é uma coisa que deixa a gente aflito, né? Mas vamos levando nessa balada, que de casa em casa a gente mija o território! Huuuum... "Mija" que vulgarzinho! Ah!! Mas tá valendo.
Voltando ao assunto, o ensaio de ontem foi muito bacana também - Graças ao Pai! - conseguimos esboçar todo o segundo momento (indivíduo), além de dar uma passada no que já tínhamos do ensaio anterior. O que nos tem chamado atenção nessa nova fase do projeto é que cada vez mais, as críticas estão se fazendo presentes. Mas estamos ficando bem felizes com o resultado e ansiosos pra mostrar essa nova estória para os nossos amigos da equipe. Ai ai!
Nossa próxima empreitada é marcar o 3º momento (deterioração), só que este momento é um pouquinho grande, então o dividimos em duas partes.
Acho que vai dar! Pensamento positivo sempre!
Para o alto e avante!
Até!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Segundo ensaio


Olá a quem interessa!
O segundo dia de ensaios foi bem, bem legal!!!
Conseguimos cumprir com a nossa meta e esboçamos todo o primeiro momento, estamos muito felizes com isso, aliás, não só com isso, mas com o resultado!
Mas... o ensaio de hoje (sexta) não aconteceu, por questões de horário.
E amanhã estaremos repondo esta valiosa falta com algumas horinhas a mais. rs!
No mais ao ator resta estudar, estudar, estudar...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Primeiro ensaio


É isso aí gente!
Estamos de volta e em definitivo. Hoje estamos retomando os ensaios da peça, já que a estréia está prevista pra setembro próximo. Hoje o encontro foi pra traçar nossos próximos passos e fazer uma leitura, afinal estamos a alguns meses distantes do texto.

Então é isso, vamos a diante que temos muuuuito pela frente. Então tá! Beijo e até amanhã!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Diário de bordo


A dez anos atrás com o entusiasmo e a coragem latente dos amadores, Eliomar Bonavita se aventura a dirigir a peça “O Homem do Princípio ao Fim” de Millôr Fernandes. A montagem não se concretiza, mas do texto fica em carimbado em sua memória o epílogo final intitulado de “A Última Flor”, um poema do escritor e cartunista James Thurber.

Durante anos o desejo de montar esse texto em forma de esquete sempre esteve presente, mas ele não queria se dirigir, precisava de um olhar de fora. Sendo assim convidou alguns amigos para assumir essa função, mas não obteve sucesso.

Nessas idas e vindas o exemplar do texto se perdeu e com ele a urgência em montá-lo. Anos se passaram e sempre que se tinha notícia ou desejo de participar de algum festival a primeira opção era sempre o texto de Thurber. Até que um dia ele decide montá-lo de fato e desta vez o convite é direcionado à Rodrigo Abreu que aceita imediatamente e finalmente o texto começa a ser montado.

Nos primeiros encontros que acontecem no playground do prédio de Rodrigo, é realizada uma pesquisa sobre as primeiras impressões do texto. Imagens, cores, músicas, sensações, texturas... Ambos conversam muito e já ali concluem que tem muito trabalho a fazer, muito material em mãos e muita coisa a ser dita em apenas quinze minutos.
Então, como comunicar? Como chegar até as pessoas? Como fazer com que entendam a nossa mensagem?

-O que você acha de montarmos uma peça com esse texto?- Pergunta Rodrigo.

O convite muda de lado e a resposta também é positiva. A partir de então, inicia-se uma pesquisa mais aprofundada. Elio, muito resistente, exigia dedicação extra do Rodrigo, que junto aos estudos, fazia alguns exercícios que visavam além de desbloqueá-lo, aumentar ainda mais sua sensibilidade.

Rodrigo e Elio, seguem com os estudos por algumas semanas, já na sede da Orquestra Livre. Era a hora de terem mais gente com eles, então surgem os primeiros profissionais a integrarem equipe...

Esta será a primeira produção da Sétimo Mar Produções Artísticas ltda, produtora do Rodrigo; sendo assim nosso diretor de produção já tinha nome e sobrenome, Élcio Abreu e nossa produtora executiva também, Elisabete Massa. Gigi Bandeira veio para registrar tudo de perto com suas lentes fotográficas, fazendo a nossa programação visual. Tornando o ambiente ainda mais familiar surge a nossa figurinista, Sammara Niemeyer, que passa a acompanhar todos os ensaios de perto, aliás esta é uma exigência deste trabalho. Todos os envolvidos devem participar de fato do processo de criação.

Neste momento passamos a nos reunir duas vezes na semana, quintas e domingos. Retomada a pesquisa, chegamos a conclusão de que só o texto não supria nossas necessidades, levando em consideração que não queríamos um espetáculo de performance ou de teatro-dança. Então a opção é construir um roteiro em que o texto se encaixasse e para isso precisaríamos de um tema que o conduzisse. A sugestão do Rodrigo aceita por todos foi falar sobre a hipocrisia.

Processo caminhando, o trabalho crescendo e precisávamos de um projeto, para isso fizemos uma sessão de fotos no centro do Rio. Gigi fez vários clicks que iriam dar vida ao nosso primeiro tratamento do projeto.

A essa altura mudanças já aconteciam na equipe, Bete nos deixava e para assumir o seu posto veio Renata Andrade, que chegava exatamente no dia em que começaríamos a elaboração do roteiro. Opiniões opostas, falhas de comunicação, conflitos e uma conclusão: tínhamos material suficiente sobre “A Última Flor”, mas não tínhamos sobre hipocrisia. O que fazer? As opções eram adaptar o texto para cinqüenta minutos, o que implicaria na criação de outro texto ou descobrir sobre o que de fato ele trata, escolher um tema e criar um roteiro em cima dele. A adaptação foi uma escolha que levou o Rodrigo a escrever compulsivamente um texto que à noite foi enviado ao Elio por e.mail. O resultado não era nem de longe o que ele queria dizer. Novo conflito e mudança de planos... Mais uma vez, a criação de um roteiro surge como o melhor caminho a seguir. Desta vez falando sobre o homem.

Os dias tumultuados e essa confusão no processo resultou numa “crise de criação” do nosso diretor e o processo ficou um pouco inerte.

Novo encontro é marcado, novo ânimo se instala e um novo processo surge. Como já disse, o tema do nosso roteiro é o homem, mas apenas isso não basta, então conversas e mais conversas em torno do assunto resultam naquela que seria a espinha dorsal do nosso roteiro: A degradação do homem, que tem início nos instintos e na razão dando origem ao homem, que se torna indivíduo, se deteriora e entra em colapso (que aqui é entendido como uma transição), levando até a última flor, que seria uma capacidade de sair da inércia, de comunicar-se, de ver o outro e ser por ele.


Os estudos em torno do novo tema, ganham força e o processo recomeça mais uma vez.
A idéia de que os profissionais envolvidos no projeto façam parte do processo de criação se mantém e para que isso aconteça, eles precisam ser definidos com urgência.
Em uma de suas aulas de canto com o maestro e diretor da Orquestra Livre, Márcio Carvalho, Rodrigo expõe sua idéia de concepção do espetáculo, e ela se encaixa perfeitamente com as convicções do Márcio, além de ser o assunto de sua tese de mestrado. Sendo assim, “A Última Flor” se torna parte integrante da tese do Márcio que como conseqüência torna-se o nosso diretor musical, dando nova vida à pesquisa.

Nossos encontros ganham mais um dia, a terça-feira, que passa a ser dedicada aos estudos com a música. Experimentos são propostos e uma nova percepção auditiva e sensorial acontece. O corpo é forçado a sentir a música e a fazer parte dela. Tarefa difícil, mas que em apenas três encontros ganha um alto grau de entendimento, satisfazendo bastante os anseios do Márcio. Destes experimentos, surge uma cena criada para a música “O Grito de Hiroshima”. O resultado deixa todos impactados e ao Elio esgotado fisicamente. Entusiasmado, Márcio sugere que o trabalho seja levado adiante, em festivais de teatro-dança. Também parte dele o convite para que Elio faça parte do seu concerto de mestrado, apresentando o texto de Thurber.

O concerto aconteceu no Theatro Municipal de Niterói. Um dia especial para todos. Música e teatro em perfeita harmonia, não só como colaboradores e sim como um órgão único. Assim foi a apresentação que reuniu a Orquestra Livre, o coral do IBGE, alunos, amigos e atores convidados. Rodrigo ficou encarregado de encarnar o Rei Herodes em “Salomé” e Elio de apresentar “A Última Flor”.

A peça que estamos montando bebe do texto de Thurber, mas não é ele, então neste dia o desejo do Elio de apresentá-lo ao público tornou-se realidade. Uma emoção única! No palco, conseguiu desempenhar bem as indicações dadas pela direção de Rodrigo, atrás dele a orquestra seguia atenta aos comandos do maestro que com imensa sensibilidade contracenou brilhantemente com o texto e com ator. Afinal estavam todos ouvindo a música, que tinha sido composta no dia anterior, pela primeira vez. E a platéia lotada do Municipal ouvia atentamente a nossa mensagem.
Estava feito! O primeiro contato entre “A Última Flor” e o público tinha acontecido com sucesso!

Passada a apresentação retornamos aos experimentos que já estavam quase chegando ao fim, ou seja, a última flor estava por perto.

Mas ainda precisávamos fechar a nossa equipe, já que a negociação com a Claudia Provedel, para fazer a preparação corporal não passou da portaria do seu prédio e ainda no início do processo a cenógrafa Márcia Nemer teve que nos deixar, devido à sua agenda lotada.
Pois é neste final do processo que se junta a nós Marcelo Cotta, o cenógrafo que possui um histórico parecido com o que procurávamos para o trabalho.

Por conta de vários compromissos pré agendados pelos membros da equipe, as férias se faziam necessárias. Com exceção da Renata que continuou debruçada sobre a elaboração do projeto; do Rodrigo e Elio que trabalharam juntos na construção do roteiro todos ganharam vinte dias de folga.

Os encontros para o tratamento do texto seguem muito produtivos e o resultado bem satisfatório. A última flor está germinando.
Fim da longa pausa. Hora de pôr a mão na massa!
Com o roteiro em mãos, Rodrigo escreve o texto e começa um árduo trabalho de montagem. Os ensaios ganham novos dias: quintas à noite e fins de semana à tarde. A equipe... Essa continua incompleta, mas é nesse momento que ganhamos o reforço plumário de Maria Thereza (uma avestruz de pelúcia), nossa preparadora corporal, que logo é substituída por Ana Mirian Pichini (uma mulher de toque). Também se junta a nós Lucimar Ferreira nossa assistente de produção de riso farto.
Enfim, "A Última Flor" representa o nosso desafio de comunicar sempre, de não fazer um teatro raso onde meia dúzia de pessoas entendam o que foi dito e outras duas saiam realmente tocadas. Queremos ir além, não nos basta ficar na superfície do corpo, não queremos só os arrepios, queremos a hepiderme, queremos o contato, o tocar e ser tocados. No palco um artista estará só, mas em momento algum ficará sozinho, isso porque ele terá Rodrigo Abreu, Sammara Niemeyer, Márcio Carvalho, Renata Andrade, Marcelo Cotta, Ana Mirian Pichini, Lucimar Ferreira, Maria Thereza e vocês com ele a todo instante dentro e fora...